Diante da sinalização dos Estados Unidos sobre a imunização de turistas e com o ritmo lento da vacinação no Brasil, agências de viagem apostam numa nova possibilidade de vendas: o turismo de vacina. 

Adquirindo pacotes que podem custar até R$ 13 mil, os sergipanos têm a possibilidade de ser vacinados em solo norte-americano e ainda aproveitar a oportunidade de lazer, mas não basta emitir a passagem. 

Por enquanto, os viajantes brasileiros têm de permanecer 14 dias em outro destino fora da lista americana de bloqueio sanitário, antes de voar para destinos como Nova York, Orlando e Miami.

Os pacotes de viagem para quem quer se vacinar nos Estados Unidos partindo de Sergipe estão custando a partir de R$ 6 mil, de acordo com a diretora da Nossa Agência, em Aracaju, Cris Viana. Segundo ela, há uma grande demanda de clientes à procura deste destino, com preferência pela cidade de Cancún, no México, onde os brasileiros deverão passar 14 dias de quarentena. 

“Nossos pacotes são muito personalizados de acordo com a realidade do nosso cliente. Os valores caíram bastante, porém, são a partir de R$ 6 mil. Não temos um modelo empacotado para todas as pessoas. Adequamos quesitos como antecipação de férias, escolha da cidade onde passarão a quarentena, entre tantas outras questões que são próprias de cada família que nos procura”, explica Cris Viana. 

Por outro lado, também já estão sendo comercializados os pacotes completos para turistas que pretendem viajar para se vacinar. Na agência Santorini é possível encontrar pacotes que incluem passagem aérea, hospedagem no México e em Nova York, além do seguro viagem. Neste caso, os valores por pessoa em apartamento duplo podem chegar a custar R$ 13.896. 

Quanto à vacina, a agente de viagem Cristiana Carvalho, da Santorini, explica que apesar de a Prefeitura de Nova York estar disponibilizando vacinas gratuitas para turistas em vários pontos estratégicos e turísticos da cidade, a vacina não é de responsabilidade da agência e depende da disposição de doses no destino, no momento da viagem.

Além do visto americano válido, é preciso ficar atento a uma possível exigência de imunização no destino de parada, a exemplo da vacina de febre amarela que tem de ser tomada dez dias antes do embarque. 

Junto ao valor do pacote, é necessário levar em conta gastos com alimentação, transporte e exames obrigatórios. Se a pessoa testar positivo para covid-19 no exterior, o custo sobe em decorrência de diárias extras de hotel, refeições e possíveis diferenças tarifárias nos trechos aéreos.

O ‘turismo da vacina’ tem recebido diversas críticas pela questão ética. “Aquelas pessoas que têm dinheiro conseguem se vacinar antes da própria população do local. Você gera algum tipo de privilégio num momento de pandemia, em que isso realmente não poderia ocorrer”, disse o infectologista Jessé Reis Alves, do ambulatório de Medicina do Viajante do Hospital Emílio Ribas, ao jornal O Estado de São Paulo.

Fonte: F5NEWS