No início era o vazio. A vida conduzida pelo passar das horas. Não que a existência me tenha negado sorrisos antes de você, mas tudo carecia de cor, de sentido. Foi naquele aniversário no sítio de vovô, em junho de 1997, que seus olhos anunciaram cores em meus dias. 

Meu charme era pouco, é certo, mas sobravam palavras. Usei de motivos e versos, razões e Vinícius, “pra viver um grande amor”. Ainda assim, precisei de algum tempo na paciente tarefa de cativá-la. Mas já nos primeiros momentos, sua verdade me deu a certeza de ter encontrado “a mulher”, a quem, desde então, soube que amaria e admiraria por toda a vida. 

E fizemos planos, e seguimos juntos, e nunca mais nos afastamos.

Em você encontrei o amor e a admiração. Não pelo recato de ocas convenções, mas pelo recanto de loucas emoções. Mergulhamos na fonte que sacia todas as vontades e emergimos purificados desse imenso amor.

Em você mais que a mulher, a amiga e a companheira, encontrei o que há de mais sublime, belo e nobre em um “ser humano”: o humor de todos os dias, o amor de todas as horas, a empatia para com todos os seres, a dedicação ao que é necessário, a disposição permanente para o sonho, o sentido da poesia e da vida.

E eu…  

Ideia, tive forma; 

Cinza, ganhei cores; 

Flecha, fui lançado; 

Sonho, realizei-me.

Tudo o que sou vem de você. Meu amor é seu. 

Eu te recebo como minha esposa e prometo viver nosso amor em cada momento e sempre, e tanto, e atento, e com respeito, sendo amigo e companheiro. Enquanto a vida nos der flores, seremos um só sorriso. Mas se preciso for, também choraremos juntos. Enquanto a saúde nos permitir, unidos seguiremos. Mas se ela nos faltar, estarei sempre ao seu lado. Repleta ou vazia, sua mão terá sempre a minha mão e serei o seu fiel amor. Até que o Pai venha nos buscar.

Jorge Henrique

Votos lidos na cerimônia de casamento e de celebração de nossas bodas de cristal, em 2016.