Um estudo realizado pela equipe de Força Tarefa da Covid-19 da Universidade Federal de Sergipe (UFS) identificou a possibilidade de transferência de anticorpos neutralizantes da covid-19 para bebês de gestantes imunizadas com a vacina AstraZeneca. A pesquisa foi feita com 50 pacientes, entre grávidas, puérperas e bebês, na cidade de Pinhão. 

De acordo com o coordenador da Força Tarefa, o farmacêutico Lysandro Borges, professor de Imunologia Clínica da UFS, foi possível observar pelo estudo que os anticorpos capazes de neutralizar o novo coronavírus em caso de infecção, conhecidos como anticorpos neutralizantes, foram passados de mãe para filho por meio da placenta ou até mesmo pelo leite materno. 

“Os bebês de mulheres grávidas que receberam a vacina da Oxford/AstraZeneca, aplicada no início do plano de imunização para gestantes, produziram anticorpos neutralizantes. Isso mostra que esses anticorpos podem atravessar a barreira placentária e também podem ser transferidos pelo leite materno”, explica o farmacêutico.

Ainda conforme Borges, esse estudo pioneiro reforça a necessidade de vacinação desse grupo, já que automaticamente garante uma proteção para bebês que são mais sensíveis e suscetíveis à infecção por covid-19.

“Eles estarão protegidos contra o vírus se as mães forem vacinadas em tempo hábil. Grávidas que tiveram covid-19 e receberam a vacina formaram quase o dobro de anticorpos neutralizantes do que aquelas que não tiveram covid e somente receberam a vacina. Isso mostra que as pessoas que tiveram covid-19 e foram vacinadas vão formar uma quantidade muito grande de anticorpos, e que os bebês também recebem essa quantidade, estando protegidos”, afirma o pesquisador.