Em 18 de outubro de 1941, há exatos 80 anos, nascia em solo sergipano, especificamente, em Riachão dos Dantas, um predestinado à escrita.  Uma criança que aprimoraria a habilidade de escrever cadernos de prestações de contas e diários sobre acontecimentos familiares de seus ancestrais. Seu Francisco Dantas Martins Fontes (1871-1924), avô paterno, o afetuoso seu Manoel Costa e Silva (1883-1967), avô materno, seu David Dantas de Brito Fontes (1913 -2001) pai, Dona Miralda Costa Fontes (1917-2008), genitora, certamente se orgulham do virtuoso talento desse herdeiro. Propensão que o colocou em definitivo na galeria dos imortais da literatura brasileira.

 O homem que tardiamente se dedicou ao meio acadêmico como estudante, outrossim, como docente, parece ter encontrado seu destino nas Letras. Teria melhor lugar? Apenas aos 30 anos ingressou na universidade, em seguida. na docência. A timidez que lhe é peculiar só lhe deu trégua para publicar seu primeiro romance ao completar os anos de transição da vida, aos 50 anos.  Foi em 1991, que o professor aposentado da Universidade Federal de Sergipe, autodidata apegado, sobretudo, às coisas de sua terra natal, sejam elas prazerosas, sejam aflitivas, resolveu compartilhar conosco o substancial conteúdo do seu imaginário. “Coivara da memória” (1991), iniciou a sua jornada literária, o romance aclamado pela crítica especializada prontamente firmou o seu notório talento literário já em sua estreia. 

Maria Lúcia das Farra; Joseana Fonseca e Francisco Dantas

Ao longo desses 80 anos de vida do escritor e dos 30 anos de sua obra, leitores de Sergipe, do Brasil e do mundo são arrebatados pela escrita pujante de Francisco José Costa Dantas, o homenageado do dia, o nosso Chico Dantas! Um cidadão que merece nosso reconhecimento pela forma íntegra da sua vida pessoal, pela maestria com que divulga a cultura sergipana, por permanecer fiel a sua origem, indo de encontro aos modismos hodiernos. Francisco Dantas, como nenhum outro escritor, em cada um dos seus textos ratifica a teoria de um dos seus mestres, Eça de Queiroz, de que “a todo viver corresponde um sofrer”. Uma sofrência, muitas vezes, tirana e amarga, mas que, em seus textos, nos é contada a partir de uma poética tão comovente que nos arrebata de paixão por tais histórias de dor. Nos sete romances já publicados, ratifica-se a suntuosa elaboração linguística e cultural que alicerça a sua arte. A você, professor Francisco Dantas, nosso reconhecimento e desejo de uma vida longa com saúde, paz e muita escrita. A alma de seus leitores se regozija através de sua literatura. Obrigada por tanto!

Por: Joseana Souza da Fonsêca, Professora e Pesquisadora