Nesta segunda-feira (20) dirigentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e do Instituto Federal de Sergipe (IFS) realizaram uma coletiva de imprensa para falar sobre a situação orçamentária das instituições, após o bloqueio orçamentário determinado pelo governo federal. Os gestores consideram a situação como crítica, pois compromete não apenas a manutenção dos campus, mas toda a rede de ensino.

Segundo informações da Pró-Reitoria de Planejamento da UFS, atualmente a universidade tem gastos obrigatórios calculados em R$ 12 milhões em manutenção de suas estruturas, viagens a campo, rede elétrica e contratos de serviços terceirizados com empresas que prestam serviços. A instituição possui em cofre o equivalente a R$ 5 milhões, o que gera um déficit orçamentário de cerca de R$ 7 milhões.

“Estamos verificando medidas para realmente economizar nos gastos e prolongar o funcionamento da universidade. Os editais que estavam em andamentos foram suspensos, além das viagens a campo, estamos fazendo de tudo para economizar e manter o campus funcionando”, disse o Pró-Reitor de Planejamento da UFS, Sérgio Sávio.

O orçamento da ação de funcionamento da universidade é o mesmo do ano de 2013, apesar do acúmulo da inflação no período ter alcançado expressivos 54%. Isso provocou, ao longo desses anos, um déficit nominal na ordem de aproximadamente R$ 37 milhões. Comparando o orçamento de 2013, na época pouco superior a R$ 66,8 e aplicando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado, o orçamento de 2022 na ação citada deveria ser de R$ 103,5 milhões, bem distante dos atuais cerca de R$ 66,4 milhões.

“A questão orçamentária para as universidades e institutos federais vem de um panorama de estagnação ao longo dos anos. Estamos nos esforçando ao máximo para a situação não chegar aos alunos, porém começa a apertar um pouco e infelizmente eles sentirão esse impacto, pois os nossos sistemas de condução, e até o restaurante da universidade, que disponibiliza alimentação por R$ 1, serão muito afetados. A situação é urgente e, se não houver uma reversão no caso, só iremos conseguir manter as aulas presenciais até dezembro ”, advertiu o reitor da UFS, Valter Santana.

“Isso não é apenas uma exclusividade da UFS, as demais universidades federais presentes em outros Estados do país também passam por essa situação. É necessário uma mobilização da sociedade civil e das demais instituições para que a situação mude, pois já levamos a questão ao Ministério da Educação (MEC) e acionamos a bancada federal”, ponderou o vice-reitor da universidade, Rosalvo Ferreira.

Instituto Federal de Sergipe

De acordo com a reitora do Instituto Federal de Sergipe (IFS), Ruth Sales, o bloqueio freia as iniciativas de pesquisa da instituição e escancara um quadro a demandar atenção ainda mais urgente. “Se o bloqueio não for reposto, o IFS não poderá mais arcar com suas contas já em setembro. Fica muito difícil em um cenário que você vem ampliando as atividades e acaba sendo surpreendido com essa escassez no orçamento, agora o cenário está mais difícil ainda devido à inflação e com um corte no valor de quase R$ 3.8 milhões, isso reflete no auxílio moradia, condução e na alimentação dos alunos”, relatou Ruth Sales.