A caçada ao criminoso Lázaro Barbosa, de 32 anos, no Centro Oeste do país, virou um dos principais assuntos da imprensa brasileira. Já são duas semanas driblando centenas de policiais, cães farejadores, helicópteros e radares com sensor de temperatura. O foragido conhece bem a região e se camufla na mata feito um animal silvestre, deixando um rastro de medo e pavor nas comunidades rurais. Algo muito semelhante ao vivenciado por moradores do Sul sergipano em 2008, quando um adolescente de 17 anos criou fama de assassino cruel, sob o codinome Pipita.

A perseguição a Cleverton Santos Reis, o ‘Pipita’, terminou na madrugada do dia 22 de março daquele ano, sábado de Aleluia, e embora a morte não seja algo a se comemorar, os sertanejos respiraram aliviados ao saber do fim do jovem que chegou a ser chamado de cangaceiro mirim, e comparado a Lampião, do qual era admirador, pelas maneiras cruéis usadas para atacar suas vítimas.

Quem era Pipita

Nascido em Tomar do Geru, Cleverton cresceu na zona rural da cidade; abandonado pela mãe e com pai preso por homicídio, cresceu revoltado e entregue à própria sorte. Segundo relatos da época, desde muito novo Pipita se envolvia em confusões e mantinha um comportamento agressivo.

A fama veio no final de 2007, quando Pipita montou um bando e passou a aterrorizar os moradores da região Sul, principalmente nas redondezas de Tomar do Geru, Cristinápolis, Umbaúba e Rio Real (BA). Há relatos de crimes praticados por ele também em Itaporanga D´Ajuda, na Grande Aracaju.

Segundo a Polícia Civil, a quadrilha que sustentava a ação de Pipita começou a ser desbaratada no dia 22 de fevereiro de 2008, com a prisão de três responsáveis pelo repasse de alimentação, armas, drogas e munição para o comando da quadrilha na área rural de Tomar do Geru. A segunda parte da prisão aconteceu no dia 7 de março, quando mais três foram presos através de mandados expedidos pela Justiça. No mesmo dia, um dos principais comparsas de Pipita foi morto em troca de tiros. Mas Pipita não se intimidava, se escondia no mato, invadia e saqueava propriedades, sequestrava adolescentes, que eram estupradas, além dos homicídios cometidos.

Perseguição

A busca por Pipita dentro da mata fechada mobilizou diversas unidades especializadas das polícias Civil e Militar, um policial chegou a ser atingido de raspão na cabeça. Foram três semanas de um cerco no Sul sergipano que ganhou interesse midiático em várias partes do país.

“Policiais trabalharam ininterruptamente por mais de 24 horas e, mesmo assim, pediam à coordenação da operação para continuar com as buscas. Não queriam parar, já que nos envolvemos muito com as populações dos municípios e tínhamos que honrar as instituições que a gente defende”, destacou o delegado Ronaldo Marinho, que na época era diretor do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope).

Enquanto Pipita tinha sucesso em driblar a polícia, a surpresa veio na madrugada do dia 22 de março de 2008, quando o criminoso tentou invadir uma fazenda no município de Tomar do Geru, na divisa com a Bahia, e foi atingido por golpes de foice no pulso direito e outro na cabeça, desferidos por um agricultor de 71 anos. Segundo a polícia, logo depois ele foi localizado e mesmo ferido trocou tiros com os policiais, sendo alvejado e morto.

Pipita estaria hoje com 30 anos e, ainda jovem, já apresentava uma ficha criminal tão extensa quanto a de Lázaro, que carrega nas costas mortes, sequestros, estupros e várias famílias destruídas.

Fonte: F5News