O terceiro “lockdown” decretado pelo governo do Reino Unido apresentou bons resultados. Depois de 47 dias de confinamento no país inteiro, a média móvel diária de novos casos caiu 79%, passando de 59 mil para 12 mil. Também se observa uma redução sustentada no número de internações e mortes e a vacinação está bem adiantada em comparação com outros países da Europa. O primeiro-ministro Boris Johnson deve anunciar nesta segunda-feira, 22, um plano para aliviar gradualmente as restrições. A primeira atividade a ser retomada provavelmente será o ensino presencial nas escolas, no dia 8 de março. Elas estão fechadas desde 5 de janeiro, quando se iniciou o “lockdown” no país.

“A retomada precisa ser gradual para dar tempo de observar os números e, se necessário, voltar com as medidas severas de isolamento”, explica a infectologista Ana Luiza Gibertoni. A brasileira trabalha no serviço nacional de saúde britânico (NHS, na sigla em inglês) e cursa doutorado na Universidade de Oxford. Outra consequência visível do “lockdown” é a diminuição do número de internações. A frase “Fique em casa, proteja o NHS” virou símbolo do “lockdown” inglês e pode ser vista em pontos de ônibus, letreiros luminosos e em anúncios governamentais nas redes sociais.

A média móvel diária de pessoas admitidas em hospitais com covid-19 chegou ao pico de 4.230 em 9 de janeiro. No dia 12 de fevereiro, último dado disponibilizado pelo governo, o número estava em 1.583, uma redução de 62,5%. A mesma tendência é observada nos óbitos. Em 19 de janeiro o país atingiu o pico, com média móvel diária de 1.280 mortes. Em 12 de fevereiro, a média de mortes por dia caiu para 494, uma redução de 61%.

“O Reino Unido conseguiu provar que o ‘lockdown’ é uma boa medida para conter o coronavírus”, analisa Ana Luiza. A infectologista diz que outro fator que pesa bastante na estratégia britânica de contenção do coronavírus é a testagem em massa. Todo mês, 150 mil pessoas são testadas aleatoriamente em um monitoramento feito pelo Imperial College para monitorar a situação da epidemia na comunidade. A médica do NHS afirma que ainda não é possível afirmar que a vacinação está ajudando no controle da pandemia. “Um estudo do Imperial College mostrou que a redução do número de casos foi proporcional nas faixas etárias”, diz Ana Luiza. Se a vacinação já estivesse contribuindo com os números, deveria haver uma redução muito maior nos casos entre pessoas maiores de 65 anos, prioridades na campanha de imunização do governo.

O Reino Unido é o país que mais vacinou na Europa segundo o site Our World in Data, da Universidade de Oxford. Até a sexta-feira, 19, cerca de 25% da população havia recebido a primeira dose do imunizante, enquanto a média no continente é de 6%. Em números absolutos, 16,8 milhões de pessoas receberam a vacina no país. No entanto, os dados ainda não mostram relação entre a vacinação e a redução no número de casos.

Fonte: UOL