Com o registro de mais 27 mortes em decorrência da covid-19 na última quarta-feira, 26, conforme o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde, o número acumulado de óbitos por causa da doença, de janeiro a maio deste ano em Sergipe, superou o total de vítimas fatais de todo o ano passado no estado.

Nos primeiros cinco meses de 2021, Sergipe contabilizou 2.496 vidas perdidas para o novo coronavírus. Já entre abril e dezembro de 2020, o estado registrou 2.484 mortes por causa da doença. Ao todo, são 4.980 óbitos desde o início da pandemia.

Com o registro de 706 óbitos em apenas 26 dias, maio de 2021 já é o terceiro mês mais letal desde o anúncio da primeira morte provocada pela infecção no estado. A média no mês atual é de 27,15 óbitos por dia.

Os dois meses mais letais até aqui no estado foram abril deste ano, com 773 óbitos, e julho de 2020, quando 758 pessoas perderam a vida para a doença.

Para o chefe do Laboratório de Patologia Investigativa da Universidade Federal de Sergipe (UFS), professor Paulo Ricardo Martins Filho, a característica mais duradoura da segunda onda da covid-19 pode ser explicada a partir dos efeitos da relação entre o comportamento de risco da população, a circulação de novas variantes e o processo de vacinação.

“Não há dúvidas de que o descumprimento das medidas sanitárias conhecidas de controle da transmissão do novo coronavírus, as diferentes estratégias adotadas entre estados e municípios em decorrência da descoordenação nacional de políticas públicas eficazes de enfrentamento à covid-19, a baixa capacidade de testagem e de rastreamento de casos assintomáticos e o ritmo lento da vacinação têm contribuído para este cenário,” ressalta o professor.

“Infelizmente, esses fatores acabam colaborando para o surgimento e disseminação de variantes de preocupação do novo coronavírus, a exemplo da P.1, as quais têm sido associadas a uma maior capacidade de transmissão, escape de ação de anticorpos neutralizantes e até mesmo a casos mais graves da doença,” acrescenta o pesquisador.

Epidemiologista, Paulo Martins ainda chama a atenção para os indícios de uma nova onda da contaminação a curto prazo, também por conta da associação entre medidas restritivas, mutações virais e imunização.

“A terceira onda é uma realidade a curto prazo e tem relação direta com todos os fatores que já foram comentados. Além disso, nas últimas semanas, foram identificados casos da variante B.1.617.2 originária da Índia e classificada pela OMS como uma variante de preocupação. Essa variante também apresenta diversas mutações na proteína Spike relacionada à entrada do vírus nas células humanas o que contribui para que ela seja mais transmissível,” alerta Martins.

Com experiência no desenvolvimento de pesquisas sobre ensaios pré-clínicos de vacinas, o professor de Imunologia da UFS, Diego Moura Tanajura, reforça a importância da vacinação como única saída segura e eficaz para frear o avanço da pandemia.

“Temos visto países onde a vacinação está mais acelerada, como Estados Unidos, Reino Unido, Israel, com a vida voltando ao normal. O nosso cenário atual com um pouco mais de 10% da população brasileira completamente imunizada, ou seja, que recebeu duas doses, não é suficiente para frear a evolução da contaminação. Por isso, devemos continuar com todas as medidas de cuidados, como distanciamento físico e uso de máscaras, mesmo para quem já tomou a vacina,” pontua Diego Tanajura.

Fonte: UFS