A delegada Danielle Garcia assumiu nesta terça-feira (20) a presidência da Executiva estadual do Podemos, partido até então liderado pelo deputado estadual Zezinho Sobral, líder do governo Belivaldo Chagas (PSD) na Assembleia Legislativa. Segundo ela, as tratativas foram iniciadas há cerca de um mês e houve mais de uma conversa com o parlamentar. 

Com o movimento, Danielle concretiza o desejo de ter um partido para chamar de seu. Essa é a leitura de observadores da política sergipana que acompanham as articulações das últimas semanas, baseadas quase que integralmente em Brasília, e confirmada pela delegada.

Questionada sobre a reação do deputado estadual Zezinho Sobral, que rechaçou a filiação da delegada, a presidente nacional do Podemos, a deputada federal Renata Abreu, contemporizou. “Considero um processo natural, afinal ele é líder do governo e a Dani teve um caminho diferente. Então, mesmo dialogando e tendo conversado, entendo que ele precisa se posicionar diante do papel que exerce para mostrar que não está conivente. Mas em todo momento houve respeito”, disse.

A Executiva Nacional vê na delegada sergipana a chance real de alcançar um assento na Câmara dos Deputados. Danielle, por sua vez, já teria externado a pessoas próximas, mais uma vez, sua preferência pelas disputas majoritárias.

“A minha vida política não é para satisfazer um projeto pessoal. Então, eu tenho que combinar com o povo. A gente vai precisar ouvir as pessoas, onde elas enxergam que posso ser mais útil. Óbvio que é preciso estar alinhada à vontade do partido, mas ainda está cedo para definir qualquer situação. É hora de agregar, aglutinar”, disse Danielle Garcia, que no ano passado perdeu a disputa pela Prefeitura de Aracaju em 2º turno. 

O balizador, todos já sabem, será a legislação eleitoral. Pela regras atuais, Danielle teria o entrave da formação de legenda (140 mil votos). Com o distritão e a redução de candidatos, os cálculos podem ser mais favoráveis.

Mesmo em partido diferente, Danielle não pretende descolar de vez a imagem do senador Alessandro Vieira (Cidadania). Segundo interlocutores, a delegada pretende “formar a própria liderança, para ter a possibilidade de ser dona do próprio destino político”.

Outra figura da política estadual com quem Danielle Garcia pretende manter diálogo mais próximo é a vereadora de Aracaju Emília Corrêa. Nos últimos meses, uma eventual chapa encabeçada por elas chegou a ser ventilada nos bastidores, mas tudo não passou de especulação. 

Relação estremecida 

A saída de Daniella Garcia do Cidadania complicou ainda mais a já estremecida relação de Alessandro Vieira junto à Executiva Nacional do seu partido. Assim que foi às redes comemorar a aliança com o Podemos, o presidente nacional do Cidadania, o ex-deputado Roberto Freire, tratou de interpelar o senador. 

“Estamos surpresos. Não entendi? Não era ela a grande  liderança e futura candidata a deputada federal aí em Sergipe pelo nosso Cidadania? O que aconteceu?”, indagou.

Em junho, Alessandro chegou a anunciar a saída do Cidadania em meio à desistência da ação judicial movida por iniciativa do senador no Supremo Tribunal Federal (STF), que pedia a suspensão dos pagamentos de emendas do governo federal com verbas do suposto orçamento secreto.

Nas palavras de Danielle, contudo, a migração para o Podemos foi bem compreendida pelo senador que, segundo ela, entendeu a necessidade de “cada um trilhar a sua própria história com independência”.