A pré-candidatura do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) à presidência da República não chega a ser uma surpresa, mas tem potencial para mexer no xadrez político de 2022 em Sergipe. Não é de hoje que pessoas próximas ao delegado apostam na projeção que ele acabou ganhando durante a CPI da Covid como razão suficiente para alçá-lo a uma disputa nacional, afinal, ‘não há nada a perder’, dizem. Alessandro, no entanto, tem deixado claro que não descartou definitivamente o seu projeto rumo ao Governo de Sergipe.

Em que pese sua ainda pouca experiência na dinâmica da vida política – ele está na metade do primeiro mandato -, Alessandro calculou não apenas a chance de se apresentar como uma eventual alternativa à polarização, mas também a possibilidade de ganhar fôlego para gerir um problema que lhe persegue quase que desde o dia seguinte à posse: o desgaste junto à parcela do eleitorado que lhe deu o primeiro lugar na disputa pelo Senado Federal em 2018 com expressivos 474.449 mil votos.

Mesmo com uma avaliação positiva de sua atuação na CPI, se quiser fazer prosperar a sua pré-candidatura, Alessandro terá que enfrentar duas questões essenciais: a estremecida relação com a Executiva Nacional do Cidadania, do qual ameaçou se desfiliar após ser desautorizado pelo presidente da legenda, Roberto Freire, a manter uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em que questionava o chamado ‘orçamento secreto’. Na outra ponta, a ausência de uma densidade eleitoral que lhe permita mais competitividade enquanto a “3ª via” pela qual almeja ser reconhecido. Afinal, já não estamos mais em 2018. Por outro lado, uma eventual candidatura própria pode fortalecer as composições estaduais, conforme a leitura de alguns observadores em Brasília.

Para as bandas de Sergipe, a saída de Alessandro da disputa pelo Executivo estadual pode representar uma possibilidade de fortalecimento da oposição, na medida em que abre caminho para nomes que têm pontuado de forma mais satisfatória em recentes pesquisas internas, como é o caso da delegada Danielle Garcia (Podemos), que recentemente deixou o Cidadania para, nas suas palavras, “trilhar um caminho próprio”, e não esconde o desejo de compor chapa majoritária, prioritariamente, ao Senado. Entram nessa conta nomes como o do empresário Milton Andrade (PL) e Valmir de Francisquinho (PL), ex-prefeito de Itabaiana.

Embora mantenha distância regulamentar, o governador Belivaldo Chagas (PSD) observa com atenção as movimentações dos adversários políticos e tem concentrado esforços para encontrar a coesão ideal ao grupo da situação, onde as indefinições são mais persistentes.