O avanço da covid-19 para o interior sergipano pautou uma reunião entre o governador Belivaldo Chagas (PSD) e os prefeitos dos 75 municípios do Estado na manhã desta quinta-feira (22). Durante a tarde, o comitê científico que monitora a pandemia volta a se reunir para avaliar o cenário epidemiológico dos últimos dias e as medidas restritivas em vigor. Além dos chefes dos Executivos, secretários municipais de Saúde também participaram da reunião virtual.

Alguns participantes do encontro, relataram ter ouvido da cúpula do governo estadual um panorama preocupante em relação ao agravamento da pandemia. Algumas cidades afirmaram que, com capacidade para atendimentos emergenciais, suas unidades de saúde têm sido obrigadas a internar pacientes por mais de dois dias, mesmo com estrutura insuficiente.

As projeções apresentadas aos gestores municipais indicam que Sergipe pode terminar o mês de abril com um acumulado de 800 óbitos, média superior a do mês de junho de 2020, quando o estado alcançou o pico da primeira onda. Se o nível de contaminação não for freado e a rede hospitalar continuar sobrecarregada, o cálculo indica um somatório de 3 mil vidas perdidas entre os meses de maio e julho.

De acordo com a média móvel de casos e óbitos, Sergipe está em uma situação de estabilidade, mas em um patamar bastante elevado, conforme avaliação dos técnicos do comitê, com uma média diária de 27 mortes e 932 novos casos positivos na última semana.

O governador cobrou de alguns municípios mais empenho na vacinação porque, embora o envio de novas doses pelo Ministério da Saúde ainda ocorra num ritmo aquém do considerado ideal, há constatação de cidades onde a cobertura vacinal segue baixa, apesar da disponibilidade de imunizantes.

Também foi sinalizada a necessidade de busca ativa das pessoas que não voltaram para tomar a 2ª dose da vacina, necessária para imunização. Na reunião, foi apresentado um indicador que coloca Sergipe como o 3º estado com maior abandono vacinal, tendo 16% dos vacinados sem completar o esquema.

Desde março, conforme o Laboratório Central, o número de amostras processadas no interior sergipano superou Aracaju pela primeira vez. Em todo o estado, a taxa de positividade passou de 46% no mês passado para 51% até o momento em abril.

Há uma semana, o governo estadual reduziu a duração do toque de recolher, que passou a valer entre 22h às 5h, o que permitiu a ampliação do funcionamento de bares, restaurantes e demais estabelecimentos comerciais durante a semana, ainda que com ocupação limitada a 30% e a proibição de atendimento presencial aos finais de semana. Alguns gestores apontaram que essa medida levou a um relaxamento da população.

Depois dessa reunião a tendência é de endurecimento das restrições por pelo menos mais uma semana. A reunião do comitê está marcada para 15h e, dentre os pontos que devem ser priorizados na pauta, está a situação das aulas presenciais em escolas particulares e públicas, cujo retorno foi postergado para o começo de maio. Em seguida, o governo deve emitir um comunicado detalhando as deliberações do comitê.