O deputado Francisco Gualberto (PT) fez um pronunciamento na sessão mista desta quinta-feira, 8 na Assembleia Legislativa de Sergipe, sobre a pandemia da Covid-19 e as campanhas de vacinação. Ele disse estar acompanhando com cuidado as descobertas dos cientistas, os infectologistas, os profissionais da linha de frente, os trabalhos desenvolvidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os técnicos do Instituto Butantan, a Fiocruz e os portadores da doença causada pelo novo coronavírus, quanto aos efeitos do distanciamento social.

“Tem dados que não poem ser negados: A Nova Zelândia é um sucesso absoluto no combate à pandemia, chegando inclusive a ter zero morte/dia e a receita foi a combinação de uma vacinação mais avançada do que vem acontecendo no Brasil; mas acima de tudo, com paradas nas atividades não-essenciais, temporais. Normalmente usam 15 dias de funcionamento apenas de serviços essenciais e avançando com a vacina. O resultado é a diminuição dos casos de contaminação, de internamentos e principalmente dos casos de mortes. Isso não é uma invenção minha, mas uma realidade mundial coordenada por líderes de estados e não acham que a pandemia é uma gripezinha e o sucesso está acontecendo dentro do possível”, observa.

Francisco Gualberto citou exemplos de outros países em que os números estão caindo. “Israel acelerou a vacinação e fechou por alguns dias tudo não essencial, inibindo a circulação de pessoas promovendo o afastamento social; o número de mortes caiu em 70%, o nº de internação caiu em mais de 50% e o n° de contágio caiu em 49%. Eu pergunto, meu Deus por que aqui no Brasil isso não é feito? Será que lá existem seres-humanos e aqui é outra espécie. Será que lá os dirigentes querem ver os conterrâneos vivos e aqui existe o instinto de enterrar e visar o lucro? Na Itália, houve 14 ias de fechamento dos serviços não essenciais e hoje os números caíram extraordinariamente tirando o sistema de saúde do estrangulamento. Aqui será que somos de outro planeta e a nossa mentalidade tá formada para não ter importância à morte das pessoas? indaga lembrando que no reino unido, os números também baixaram muito, assim como nos Estados Unidos, com a mudança na política de tratamento com a saída de Donald Tramp.

O parlamentar lamentou a insistência do Governo federal para que não haja lockdown. “Nós tivemos exemplos em Sergipe da primeira onda que veio forte, houve o fechamento de setores e o número de mortes diminuiu e agora a segunda onda veio mais violenta. Juntando 109 países juntos, 37% dos óbitos estão no Brasil e isso parece que não significa nada. Muitos falam em pressão para que os serviços continuem funcionando, sem a preocupação com a vida. Não adianta ter carros bonitos, fazendas e iates de luxo e casas de praia sem vida. Nós precisamos existir para que o mundo tenha sentido”, entende.

Apartes

O deputado foi aparteado pelos colegas Georgeo Passos (CIDADANIA) e Zezinho Sobral (PODE). “Se o deputado tivesse coerência teria falado do governador Belivaldo Chagas, que fez campanha eleitoral durante a pandemia ano passado. Eu vou continuar vindo à Assembleia e quando entender que preciso, vou ficar em casa de forma remota. Se o colega tivesse preocupado mesmo, tinha orientado o governador a não se aglomerar. Espero não ser culpado de vírus nenhum e respeitamos a situação que estamos vivendo; esperamos que as vacinas aconteçam e cheguem o quanto antes, mas temos que saber conviver com harmonia. Sobre a crise econômica temos setores que não ganham muito e temos que ter todo o cuidado com a saúde em primeiro lugar, mas também não podemos dizer que a economia não é importante nesse momento”, ressalta.

O deputado Zezinho Guimarães acrescentou: “Eu venho todos os dias para a Assembleia Legislativa e acho que esse ambiente é por demais seguro, muitas vezes mais do que a minha própria casa e acho que todos poderiam vir, mantendo o distanciamento social e seguindo todos os protocolos que preconizam a prevenção. Mas respeito quem quer ficar em casa. Tem muita gente que quer lockdown e depois prega diferente. Esse jogo não cola. Eu sempre fui contra lockdown, pois não resolveu absolutamente nada em canto nenhum do mundo, o que resolve é a vacina. Ficar em casa com o salário grande que cai certinho todo mês é bom. Quero ver ficar em casa com fome. Temos 20 milhões de pessoas a mais em extrema pobreza”.

Com informações da Alese