A campanha ‘janeiro branco’ abre o calendário de temas relacionados à saúde buscando chamar a atenção para a importância de cuidar do bem-estar mental. Afinal, 2022 já chegou e com ele novas oportunidades de recomeços para planejar a vida.

A psicóloga Lorena Amorim destaca que o intuito da campanha é mostrar para as pessoas que há uma nova “página em branco” prontinha para ser preenchida com sonhos e desejos, obedecendo o ritmo de cada um. “Muitas pessoas acham que ter uma boa saúde mental é não ter problema. O que não é verdade. Todos nós passamos por períodos de dificuldades, momento ruins e incertezas” diz logo de início.

Lorena alerta que muitas convenções sociais também afetam a saúde mental ao querer pregar um estado de felicidade constante, o que é inatingível. A psicóloga esclarece que é preciso se permitir a ter dias ruis e de descontrole; e que eles não são sinônimos de ‘fraqueza’. E que às vezes “tudo bem…não estar tudo bem”. “As pessoas se sentem reféns dos papéis sociais e das obrigações que são impostas pelo meio em que vivemos. Ter dias ruins não nos faz sermos diferentes ou defeituosos. Nos faz simplesmente humanos”, destaca.

Outro fator que contribui para o abalo do bem-estar mental é a constante cobrança de “obedecer datas e limites” para conseguir realizar as coisas. Lorena diz que é muito comum ouvir de pacientes que é preciso cumprir alguns prazos para encontrar essa tal “felicidade”. “Muitos pacientes às vezes insistem em dizer que tem que ter idade para uma coisa e idade para outra. Isso é justamente fruto de uma cobrança imposta pela sociedade, que quer padronizar um ideal de vida que obviamente não existe”, alerta.

Quando pedir ajuda? 

A psicóloga orienta que é importante enxergar a psicologia com prioridade para a resolução de problemas e não como a última instância para tentar solucionar algum desconforto emocional. “Quando falamos em saúde mental a gente procurar não excluir o problema, mas pensar em uma solução para aquilo que está acontecendo. Por isso o ideal é justamente buscar ajuda antes que o problema se agrave”, alerta.

Lorena também destaca que há alguns sinais que podem indicar quando a pessoa está precisando de ajuda. “Os sinais mais evidentes aparecem quando a pessoa deixa de fazer atividades que gosta e passa a ter uma ansiedade excessiva frente ao futuro – o que acaba interferindo em alguns projetos de vida. Outro indício de que algo está fora do eixo é o sono desregulado, para mais ou para menos”, explica a profissional.