A greve dos professores da rede pública de Sergipe, decretada em maio deste ano, foi considerada ilegal pelo desembargador Osório de Araújo Ramos Filho, após ação impretada pelo Governo do Estado. Diante da decisão, os educadores deveriam voltar às salas de aula de maneira presencial a partir desta segunda-feira (16). No entanto, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), a greve prossegue até a entidade ser notificada oficialmente da decisão judicial. 

Segundo o vice-presidente do Sintese, Roberto Silva, ao receber a notificação o Sindicato deverá realizar uma nova Assembleia Geral com a categoria para discutir o que deverá ser feito. Até lá, as aulas seguem apenas de maneira remota.

“As últimas deliberações do Sintese foram de que o retorno só deve acontecer com as devidas condições sanitárias, porque muitas unidades não têm nem servidor de limpeza para higienizar os espaços. Além disso, também só devemos retornar com a vacinação com as duas doses, em meados de setembro/outubro”, reafirma o sindicalista. 

Ainda conforme Silva, a greve dos professores é em defesa da vida, já que, na avaliação da entidade, as escolas públicas não têm estrutura para retomar as aulas presenciais de forma segura para professores e alunos. “A nossa orientação é que os professores continuem as atividades remotas e que os pais não mandem os filhos para as escolas”, reforça. 

Segundo a decisão judicial, o sindicato estará sujeito a multa no valor de R$ 40 mil por dia de descumprimento, sendo limitado ao montante de R$ 400 mil. 

De acordo com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), conforme levantamento, o total de 91 escolas retornou ao modelo presencial nesta terça-feira (17), e outras 49 devem retomar as atividades na próxima segunda-feira (23). 

“A expectativa da Seduc é de que até a segunda quinzena de setembro cerca de 95% das escolas estaduais retornem com as aulas presenciais. Depois de um ano e cinco meses, as escolas estaduais passam do ensino remoto para o híbrido. A Seduc acredita no compromisso social dos professores com a educação pública, e no cumprimento das decisões judiciais”, disse a Comunicação da pasta ao F5News. 

No entanto, o Sintese informa que o retorno afirmado pela Seduc não procede. Segundo Roberto Silva, a adesão ao movimento paredista é integral, e já se estende desde maio, quando o governo do Estado decidiu pelo retorno das séries de Educação Infantil. 

“A informação que nós temos é que as escolas continuam com a atividade remota. Houve uma portaria de número 3324/2021, onde a Seduc prevê que as escolas façam reuniões para discutir se têm condição de retorno agora ou não. Caso as escolas não tenham condições, elas devem produzir um relatório para a Secretaria, justificando. Então as escolas estão convocando os professores para essas reuniões, que estão acontecendo de forma virtual. Mas as aulas presenciais não voltaram”, afirma o vice-presidente do Sintese.