Nos anos 30 aos 70 o sertanejo fugia da sua terrinha no Nordeste brasileiro para São Paulo na ilusão de conseguir emprego e melhorar de vida. Em cima de paus-de-arara vinham aquele monte de homens cheios de coragem de enfrentar a cidade grande fugindo da seca que assolava aquela região que sempre sofreu com a fome e as desigualdades. Podemos ver isso lendo a obra de Graciliano Ramos “Vidas secas” publicada em 1938 que retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. 

Há alguns anos muitos brasileiros, os Fabianos da contemporaneidade, e não o de Graciliano Ramos que não sabia ler ou escrever,  têm deixado o Brasil à procura de novas oportunidades de emprego e estudo. Depois do atual governo e com o corte das verbas às universidades públicas os nossos jovens estão indo em busca de novas oportunidades em outros países e pelo visto vão e ficam por lá. Não têm mais vontade de voltar, por enquanto é assim que estamos vendo.

Os Fabianos podem até ter mudado e aprenderam a ler e a escrever,  adquiriram mais conhecimento e são de classe média a alta, mas o Brasil continua miserável e pobre com outros Fabianos analfabetos funcionais, o que nos entristece mais ainda. Aqueles jovens que vão à escola, mas não conseguem interpretar um texto. Estes outros Fabianos continuam a mercê dos auxílios do governo e pelo visto nunca vão mudar de vida, enquanto o governo não se der conta que não é fazendo campanha para reeleição que se governa, mas se preocupando em alfabetizar a nação com escolas modernas e professores bem remunerados.

Como dizem os especialistas, a “fuga de cérebros” só aumenta com o passar dos dias e os atropelos de um governo que não se preocupa com a ciência e em abrir novas vagas de empregos formais para jovens talentos. O que falta no Brasil os nossos jovens encontram em outros países. As ofertas de bolsas de estudo cresceram e para quem tem curso na área da tecnologia as oportunidades são enormes.

Num país como o nosso onde não se valoriza a ciência, fica difícil tentar buscar um caminho acadêmico. Somos um país com grandes cientistas, mas sem um prêmio Nobel. Devíamos nos preocupar mais com a busca de novas tecnologias para as diversas áreas da indústria. Ao invés disso nos preocupamos em criar um auxílio que ajudará temporariamente as pessoas pobres, mas não lhes dará a oportunidade de crescer.

As nossas universidades públicas estão quase fechando os portões por falta de recursos para continuar produzindo ciências. O que vemos são as universidades europeias oferecendo bolsas e vantagens para aqueles alunos que querem estudar fora do Brasil. E não são poucos os que estão indo embora. Alguns alegam que as oportunidades no nosso país são poucas, que as coisas por aqui estão cada vez mais difíceis e isso não deixa de ser verdade.

Tenho amigos engenheiros em tecnologia da informação que há anos moram nos Estados Unidos, no Canadá, na Holanda e até mesmo em Portugal. Jovens que poderiam estar mudando a história do nosso país com as suas inteligências e criatividade. Dois amigos próximos foram morar em Portugal tem quase três anos e vivem muito melhor do que aqui no Brasil porque lá eles encontraram as oportunidades que o mercado brasileiro nunca lhes ofereceu.

A maioria dos jovens também não aprova a forma como o país tem sido governado nos últimos dois anos e é essa parcela que mais se destaca naqueles chamados indecisos nas pesquisas de intenção de votos para presidente no próximo ano. Eles esperam como a maioria dos brasileiros por um candidato da terceira via.

O governo federal junto com os seus ministros precisa encontrar uma solução para diminuir essa “fuga de cérebros” ou estaremos fadados a comprar tecnologias de outros países às coisas mais simples que aqui necessitarmos.