Quase um ano e meio desde o início da pandemia, o país acumula mais de 514 mil óbitos por covid-19 – 5,6 mil deles em Sergipe – mas basta uma volta rápida pelas ruas de Aracaju para se deparar com várias pessoas ignorando aquela que é umas armas mais eficientes contra o vírus: a máscara.

Além da aplicação inadequada da proteção, sem cobrir toda a área da boca e do nariz, não é difícil encontrar quem sequer esteja usando o item. A máscara começou a ser recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como medida preventiva contra a covid-19 em meados de abril de 2020. Em Sergipe, seu uso é obrigatório desde maio de 2020, e o desrespeito à Lei aprovada pela Assembleia Legislativa deveria acarretar multa de R$ 87 para pessoas físicas.

Muito além do que uma proteção individual, a máscara também protege os que estão à nossa volta. Por isso, dispensá-la é ainda menos recomendado quando se está em contato próximo com outras pessoas. Há também a indicação de que o uso dela continua sendo necessário mesmo para aqueles que já foram vacinados contra a covid-19 e para quem se recuperou da doença.

“Apesar de estarmos vivendo o avanço da vacinação animadamente, é preciso entender que a vacina não é suficiente para diminuir a transmissibilidade. Temos vacinas seguras e eficazes contra casos moderados e graves, mas elas não impedem o adoecimento e, portanto, a transmissão nos casos das pessoas infectadas. A máscara e o distanciamento são recursos que não devem ser abandonados para que a gente não volte a viver uma terceira onda na população mesmo vacinada”, explica a infectologista Mariela Cometki Assis. 

A covid-19 é transmitida principalmente por meio do contato com pequenas gotículas que contêm o vírus e são expelidas por pessoas infectadas. Elas entram em contato com as nossas vias aéreas, e o novo coronavírus pode começar a se multiplicar no nosso corpo. As máscaras funcionam como uma barreira física para a liberação dessas gotículas no ar quando há tosse, espirros e até mesmo durante conversas. 

A taxa de transmissão da covid-19 em Sergipe está há 17 dias em 0.82, o que significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 82. O recomendável é que este índice esteja abaixo de um para que a pandemia comece a desacelerar, o que se confirma na prática.

De acordo com epidemiologistas, o abandono do uso das máscaras só deve ocorrer quando a população estiver perto de alcançar a chamada imunidade de rebanho – ou seja, quando cerca de 70% da população tiver completado o ciclo vacinal.