Nos próximos dias o Auxílio Brasil que substitui o Bolsa Família começará a ser pago. A mudança de nome não muda em nada a situação do brasileiro pobre e desempregado com vários filhos para criar. O valor de 400,00 (quatrocentos reais) mal dá para pagar a conta de luz, o botijão de gás e o aluguel da casa. Mas, em meio a tudo isso parte dos brasileiros está satisfeita e faz filas na Caixa Econômica para saber quando vai receber a sua parcela.

Infelizmente o Auxílio Brasil torna o país mais pobre. Muitas famílias que vivem de um emprego informal ou fazem o chamado “bico” deixarão de trabalhar porque acreditam que com essa ajuda do governo federal a vida vai melhorar. Com isso, grande parte da população que necessita de um servente, de uma diarista ou de uma manicure perderá os seus empregados que empolgados e vislumbrados com o que a mídia tem divulgado sobre o valor do Auxílio Brasil não mais precisarão acordar de madrugada, pegar ônibus lotado para ir trabalhar do outro lado da cidade em mansões ou prédios por alguns míseros reais.

O governo deveria preocupar-se com a educação e incentivar as pessoas a estudarem. Não vou dizer que o Auxílio Brasil seja algo passageiro, apenas uma sacada paras as eleições de 2022. Creio que não. Talvez o governo esteja tirando proveito da oportunidade e no momento certo tirou o coelho da cartola. Mas, que alfabetizar a população e oferecer cursos técnicos seria uma melhor alternativa certamente que sim. Uma família com 3 filhos que vive de aluguel não consegue sobreviver com apenas 400,00 mensais, esses são aqueles que passam fome e não têm os seus direitos essenciais conforme garantidos por lei.

Penso que ao invés de dar dinheiro às famílias carentes, o governo deveria ensiná-las a trabalhar com cursos profissionalizantes gratuitos, mantendo a merenda escolar sempre certinha, remédios nos postos de saúde gratuitos e atendimento odontológico com qualidade. Vejo tantas crianças perderem os seus dentes cedo demais que fico assombrada. Como diz o ditado “ao invés de dar o peixe ensinar a pescar” seria o melhor a se fazer num país de milhões de desempregados, onde a inflação sobe a cada dia e milhares de pessoas morrem de fome.

O programa Auxílio Brasil torna o país mais pobre de dignidade, porque o que o brasileiro queria mesmo era ter os seus direitos garantidos e não viver de esmola. Esse brasileiro que carrega saco de cimento nas costas o dia inteiro, que limpa casas o dia inteiro, que vende água mineral nos semáforos das grandes avenidas vai se iludir e deixar o seu humilde trabalho para ficar em casa comendo dos 400,00 que receberá todos os meses do governo federal. Sim, porque fazendo as contas um trabalhador que carrega sacos de cimentos o dia inteiro para no final do mês receber menos de 1.200,00 do salário-mínimo com os descontos, vai achar melhor ficar em casa de pernas pro ar recebendo seus 400,00 sem fazer nada.

Em breve faltará quem faça esses pequenos trabalhos que tanto precisamos, como ajeitar o telhado ou limpar o mato de um terreno porque não vai deixar de está em casa de boa vida fazendo trabalho duro que mal dá para comprar o feijão do mês. É assim que pensa boa parte do brasileiro, principalmente aquele que não acredita mais que o país pode melhorar e que poderá ver os seus filhos estudarem em boas escolas e se formarem em boas universidades públicas.

O Auxílio Brasil torna o país mais pobre porque tira o sonho do trabalhador informal de conseguir um emprego com carteira assinada, trabalhar no ar-condicionado e receber o seu salário certinho todo o final do mês porque ele vai se acomodar no sofá da sua casa à espera dos míseros 400,00 e acreditará que estudar não leva a nada como tentam dizer-lhe todos os dias os próprios políticos que criaram o tal auxílio.

Se esse Auxílio fosse destinado para os estudantes das universidades públicas carentes certamente que seria um grande investimento porque muitos estudantes jovens vão assistir aula sem sequer se alimentarem e não têm dinheiro para comprar os livros que tanto precisam para estudar. É preciso investir no amanhã. Não se consegue ser um país desenvolvido desse jeito. Enquanto se corta verbas da educação todos os dias com algumas universidades prestes a fechar os seus portões o governo se preocupa em aumentar um auxílio que não tira os brasileiros da extrema pobreza e nem acaba com as desigualdades ao contrário só faz aumentar cada vez mais.

Reflitamos, meus amigos leitores sobre o que quero dizer. Não sou contra o Auxílio Brasil. Sou contra a forma como ele é distribuído. Sem políticas públicas e de cidadania que erradiquem a pobreza e acabem com as favelas e esgotos a céu aberto nas periferias das grandes cidades nunca que 400,00 ajudará um pai de família a ver o seu filho numa universidade pública. Ninguém consegue viver com 400,00. É ilusão. Só o governo federal acredita em coelhinho da Páscoa.