Pelo quarto ano consecutivo, a mangaba registra aumento na produção em Sergipe. Em 2020 o estado alcançou a marca de 495 toneladas do fruto, sendo o segundo maior produtor do país, perdendo apenas para a Paraíba, com 759 toneladas no ano. Segundo levantamento do IBGE divulgado nesta quarta-feira (6), o crescimento foi de 30% em relação a 2019.

De acordo com a supervisora da pesquisa do IBGE, Hellie Mansur, o aumento na produção em Sergipe está relacionado a dois fatores. Um deles a colheita –  “tivemos dois períodos de colheita maiores ao invés de um” – e o outro é que foi observado um maior número de pessoas realizando a coleta do fruto.

Em 2020, o valor da produção de mangaba foi de R$ 1,2 milhão, correspondendo a 68,9% do valor total dos produtos de extração vegetal. No estado, os maiores produtores são: Indiaroba (90 t), Estância (84 t), Aracaju (58t), Pirambu (56 t) e Itaporanga d´Ajuda (52 t). 

Árvore símbolo ameaçada

A mangabeira é considerada árvore símbolo do estado de Sergipe, não é à toa que o estado sustentou o título de maior produtor de seu fruto por quase 10 anos consecutivos, perdendo o título para a Paraíba. A mangaba é utilizada na produção de sucos, polpas, geleias, biscoitos e sorvetes. Em Sergipe, as áreas naturais de mangabeiras estão situadas ao longo do litoral, que possui cerca de 163 km de extensão entre a foz do rio São Francisco, ao norte, e a foz do rio Real, ao sul. 

Mas apesar da importância para o estado, o cultivo e a produção da mangaba em Sergipe estão ameaçados, com diversas áreas de conflito e restrição de territórios, além da pressão de uma forte especulação imobiliária

Em 2018, a Embrapa Tabuleiros Costeiros, unidade Aracaju/SE, lançou o “Mapa do extrativismo da mangaba em Sergipe: situação atual e perspectivas”, que alerta para a redução de áreas de plantio. 

Os resultados do mapeamento mostram uma redução das áreas naturais de ocorrência de mangabeiras de 10.456 hectares (29,6%), nos municípios de Barra dos Coqueiros, Estância, Indiaroba, Itaporanga d´Ajuda, Japaratuba, Japoatã, Pacatuba, Pirambu e Santa Luzia do Itanhy, no período de 2010 a 2016. Como principais causas são apontadas o desmatamento para plantios de eucalipto e cana-de açúcar e a construção civil. 

Para os coordenadores da pesquisa, a conservação dos recursos naturais e dos modos de vida das localidades de catadoras de mangaba do Estado de Sergipe implica na manutenção da diversidade ambiental e cultural de diferentes atores, uma vez que essas mulheres são responsáveis pela maior parte dos frutos que são consumidos em forma de alimento por quase toda a população sergipana e de outros estados do Nordeste. O extrativismo da mangaba subsidia a sobrevivência de 1.776 famílias de catadoras de mangaba, cerca de 5.328 pessoas.

Em 2019, uma pesquisa da Universidade Federal de Sergipe  (UFS) também apontou que a cadeia produtiva da mangaba no estado está ameaçada.

“Há um forte agravante: as áreas naturais de ocorrência da mangaba, que estão localizadas no litoral sergipano, estão sendo desmatadas para expansão imobiliária e também turismo (empreendimentos hoteleiros e segunda residência), além de outros usos do solo que substituem a vegetação nativa”, diz a pesquisadora Débora Oliveira.

Fonte: F5News