Se eu tivesse braços longos como o Nilo, envolveria todos os meus amigos em um abraço único, por meio do qual lhes pudesse deixar sentir a gratidão pelos incontáveis abraços que deles tenho recebido.
Com e por meus amigos, minha vida é extremamente feliz. Sei que entendem meus momentos de risos gordos e os de lágrimas que desenham trilhas sinuosas em meu rosto. Sei que compreendem minhas carências (e por isso me dão mais abraços) e não
julgam minhas imperfeições. Aliás, meus amigos costumam me ver muito (mas muito) melhor do que sou. E isso me faz querer mesmo ser melhor do que sou.
Querer ter “um milhão de amigos” é algo que combina bem comigo, porque eu gosto tanto do sentido que a amizade traz para minha vida, que não deixo de acolher os novos afetos que vão aparecendo e fazendo meu coração se multiplicar em progressão geométrica.
Dizem por aí que amigos de verdade há poucos. Mas, como para toda regra há uma exceção, nem ligo para esse dizer. Tenho muitos e muitos amigos, todos únicos e importantes, presentes que Deus me deu e me dá. Sofro com as dores deles e vibro com suas conquistas e sou capaz de sentir tudo isso ao mesmo tempo, porque meu coração, metonimicamente, bate por cada um de forma igualmente única.
Quem é meu amigo sabe que é. Não é preciso etiqueta, porque não há prazo de validade. Há alguns que me conhecem profundamente. Outros nem tanto. Mas eu não penso que amizade se meça por valores como “conhecer o outro profundamente”, “ser capaz de tudo pelo amigo”, “estar presente nos momentos difíceis”, etc. Amizade, para mim, não se mede. Sente-se. E é um sentimento tão pleno de perdão que fita métrica não tem
utilidade alguma.
Minhas amigas mulheres são todas lindas. E eu, que sou tão calminha, tenho ganas de virar uma serial killer quando sei das indelicadezas que lhes afetaram. Meus amigos homens são os mais bonitos do mundo e eu não consigo entender quando
sua beleza não é valorizada. E não falo de beleza de músculos, olhos, boca, mãos. Falo do que, na ausência de músculos, olhos, boca e mãos, é permanência de tudo isso na memória da emoção.
Se Deus permitir que a maior parte de meus amigos seja feliz no amor, tenha realização no trabalho e muita saúde, pouco me importa que eu mesma não tenha qualquer uma dessas coisas. Porque meus amigos, afinal, são extensão de mim… daí ser tão fácil ser feliz com e por eles.