O cenário de feminicídio no Brasil é um dos mais alarmantes, e o contexto atual de pandemia da covid-19 acendeu ainda mais um alerta já que, muitas vezes, a violência contra a mulher surge nas próprias residências, praticada pelos respectivos companheiros. Com o maior tempo em casa, devido ao isolamento social, as mulheres estão sob maiores riscos de agressão. 

No estado de Sergipe, dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEACrim) demonstram uma redução no índice de violência contra a mulher no ano de 2020, com 14 registros, enquanto em 2019, foram 21 casos ao total. Em 2021, até 11 de julho, oito mulheres foram vítimas de feminicídio no estado. 

Conforme o Atlas da Violência 2020, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no ano de 2018 uma mulher foi assassinada no Brasil a cada duas horas, totalizando 4.519 mulheres vítimas; desse total, 68% são negras. Esses números revelam o quanto as mulheres brasileiras ainda são alvo de violência e a sociedade precisa estar alerta.

A Polícia Civil de Sergipe chama atenção para a necessidade de incentivar mais mulheres a denunciar os casos de agressão física ou psicológica. Segundo a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), vinculada ao Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), foram instaurados 215 inquéritos policiais com 135 autores presos relacionados a crimes contra a mulher de diversas formas esse ano.

A delegada Renata Aboim evidencia que, mesmo com o maior tempo em casa, as taxas de feminicídio não tiveram alta em 2020. “Felizmente, ainda que num ano bem difícil de pandemia, em que as pessoas foram obrigadas a ficar confinadas em casa, em Sergipe não verificamos aumento na violência doméstica. Os números de denúncia foram similares aos de 2019, porém, continuamos alertando às mulheres para que denunciem o quanto antes”, afirma.  

A denúncia é algo essencial para o combate à violência contra a mulher, auxiliando e apoiando diversas pessoas, além de reduzir os índices de feminicídio. “Acreditamos que a denúncia precoce consegue barrar a violência, consegue romper o ciclo de violência e evitar que evolua até um feminicídio. O agressor sempre dá sinais, desde o início do relacionamento. Ele demonstra ciúme excessivo. Começa de forma sutil, mas, com o tempo, vai demonstrando cada vez mais sua agressividade e o sentimento de posse com relação à vítima”, ressalta a delegada. 

Aboim reforça ainda que as denúncias podem ser feitas pelas próprias mulheres. “É importante que as mulheres estejam atentas a esse sinal e observem que, quando a situação passar a ser mais delicada e complicada, que ela se sinta acuada de alguma forma, que ela faça a denúncia, procure a delegacia de polícia, especializada ou local, para ser orientada a respeito das providências a serem tomadas com relação ao seu caso” afirma.